O Parque Novo Mato Grosso, vendido como símbolo de desenvolvimento e modernização, está se revelando uma obra que escancara a separação entre ricos e pobres em Cuiabá. Com mais de R$ 491 milhões já contratados em obras e projeções que ultrapassam os R$ 3 bilhões quando o Autódromo for licitado, o parque está sendo construído com dinheiro público em uma área nobre doada pelos próprios barões da soja — os mesmos que agora serão diretamente beneficiados com a valorização imobiliária e a instalação de empreendimentos de alto padrão na região. A ironia é cruel: o povo cuiabano e mato-grossense está pagando para erguer o playground da elite bilionária.
Um dos maiores símbolos desse escárnio é o novo Kartódromo, que custará R$ 60 milhões do erário público. Sim, R$ 60 milhões para que milionários possam brincar de Fórmula 1 enquanto bairros populares de Cuiabá enfrentam falta de infraestrutura básica, como saneamento, transporte e saúde pública. Recentemente, o filho do governador Mauro Mendes foi visto se divertindo na pista, como se já estivesse em casa — porque, de fato, é isso que estão fazendo: transformando o dinheiro do povo em patrimônio e lazer exclusivo de uma minoria privilegiada.
A indignação cresce quando se observa a coincidência — ou conivência — com empreendimentos privados que avançam sincronizados à obra pública. Um condomínio de luxo da gigante já está sendo erguido ao lado do parque, como se tudo tivesse sido planejado em perfeita harmonia. Como pode uma região até pouco tempo esquecida virar alvo de investimentos milionários públicos e privados, todos ao mesmo tempo, sem nenhum planejamento urbano transparente? O que estamos assistindo é a consolidação de uma nova “Casa Grande”, com o povo relegado à “Senzala”, assistindo de longe os muros se erguerem.
Esse parque não é para o povo. É um monumento ao apartheid social, erguido com dinheiro público para servir aos interesses privados. Enquanto isso, a verdadeira Cuiabá — a que enfrenta alagamentos, buracos, filas na saúde e escolas do estado aos pedaços — continua invisível para o governo. A elite da soja, que poderia bancar cada centavo do parque com o troco do agronegócio bilionário, preferiu doar a terra e deixar que a fatura ficasse para os mais pobres. E nós estamos pagando.
Veja abaixo a relação das obras e valores já contratados no Parque Novo Mato Grosso. A soma parcial ultrapassa os R$ 491 milhões. Em breve, novas licitações ampliarão ainda mais essa cifra bilionária.
