Não há como negar: alguns sobrenomes carregam uma vocação quase genética para o serviço público. Os Brunini, por exemplo, têm se mostrado exímios praticantes da arte de ocupar cargos comissionados, com uma desenvoltura que impressionaria até os mais calejados burocratas de carreira. A nomeação de Carolina Manoela Brunini Moumer Gonçalves — irmã do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini — para o cargo de Assessora Jurídica da Agência Desenvolve MT, soa como mais um capítulo natural da saga familiar: onde há governo, há um Brunini em missão.
Carolina já vem de um histórico respeitável na seara do comissionamento. Esteve lotada em gabinete parlamentar — no caso, o do deputado estadual Sebastião Rezende — e agora aporta com seu talento jurídico na agência de fomento estadual, sob a batuta do governador Mauro Mendes. A nomeação, lavrada com todas as formalidades do Ato 002/2025, teve como lastro uma reunião do Conselho de Administração e o amparo legal da já famosa Lei Complementar nº 140. Mas, convenhamos, nada disso impede o cochicho matreiro do cuiabano: “Essa família, meu filho, até chora… mas é por cargo público!”
O mais curioso é que tudo ocorre com tamanha naturalidade que o povo já nem se espanta — só ri. A piada está pronta, o sarcasmo é servido como entrada, e a sobremesa é a certeza de que o compadrio é uma instituição mais estável que muitas autarquias. Enquanto isso, Carolina assume o posto, Abílio cuida da prefeitura, e os Brunini seguem firmes, como uma dinastia cordial, tocando a máquina pública com a leveza de quem nasceu pra isso. Ou, como dizem nas esquinas cuiabanas, com a vocação de quem herdou o dom… e o Diário Oficial.
