Em um movimento que transparece desespero político, o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, recuou na noite desta segunda-feira e anunciou o cancelamento de todos os procedimentos para a terceirização da merenda escolar na capital. A decisão ocorre após a sociedade colocar luz sobre uma articulação nefasta: a tentativa de entregar a alimentação das crianças cuiabanas à empresa JMC Serviços e Terceirização LTDA. O processo vinha sendo conduzido "às escuras", sem a devida publicação do contrato integral, vindo a público apenas através da nomeação de fiscais na Gazeta Municipal — um sinal claro de que o negócio já estava selado nos bastidores, à revelia do controle social.
Para preparar o terreno dessa terceirização malfadada, o prefeito chegou a gravar vídeos criticando a qualidade da merenda atual, criando artificialmente um ambiente de crise para justificar a entrada da iniciativa privada. No entanto, o "salvador" escolhido por Abílio carrega um histórico sombrio: a JMC é alvo de investigação do Tribunal de Contas de São Paulo (TCE-SP) por um contrato de R$ 34 milhões sob suspeita de irregularidades e, agora em janeiro de 2026, firmou outro contrato milionário de R$ 96,8 milhões em Palmas (TO). Somente após ser denunciado e ver sua estratégia exposta, o gestor optou pelo cancelamento, tentando se desvencilhar de uma empresa cujo rastro de investigações e valores exorbitantes põe em xeque a responsabilidade com o dinheiro público e o prato dos alunos de Cuiabá.
Investigada em SP e com contrato de R$ 96 mi em Palmas, empresa da merenda faz Abílio refugar em Cuiabá
·
1 minuto de leitura