A mais nova declaração do governador Mauro Mendes — de que “o governo federal cometeu um crime ao não entregar o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães para o Estado administrar” e que, sob sua gestão, “colocaria R$ 200 milhões em três anos” — virou motivo de espanto entre ambientalistas, servidores e moradores da Chapada. A fala, registrada em vídeo, reforça a arrogância e a desconexão de um governador que, ao longo do próprio mandato, deixou um rastro de abandono justamente nos parques que já são sua responsabilidade. Enquanto promete mundos e fundos para um parque federal que nunca administrou, Mendes ignora que passou cinco anos com o Parque Nacional sob gestão provisória do Estado e não fez absolutamente nada, como reconhecem até técnicos que atuam na região. A alegação de que faria melhor agora, no apagar das luzes do governo, soa como mais um discurso vazio. 
A comparação feita por Mendes beira o ridículo. O chefe do Executivo estadual, que diz que “transformaria” a Chapada, não cuidou nem do que já estava ao seu alcance: o Parque Mãe Bonifácia segue deteriorado; o Morro de Santo Antônio foi rasgado por obras sem planejamento; o Portão do Inferno virou símbolo de destruição ambiental; e o garimpo dentro do próprio Parque Nacional abriu crateras visíveis até por satélite. É o mesmo governador que não conseguiu garantir segurança e estrutura sequer para inaugurar seu autódromo milionário, onde arquibancadas desabaram e ventos comuns provocaram pânico. Dizer que faria da Chapada um exemplo de gestão é, no mínimo, piada pronta. No máximo, revela o presepeiro que virou especialista em prometer depois de não fazer — e sempre usando o Parque Novo Mato Grosso, o “parque dos bilionários”, como sua única prioridade real.