A coerência política da candidata a vice-governadora Gisela Simona (União) parece ter ficado pelo caminho. Nesta segunda-feira (28), ela declarou apoio a Antônio Galvan (Avante) para o Senado e o apresentou como “nosso futuro senador”.
O gesto ocorre pouco mais de um mês depois de a própria Gisela classificar como grave uma declaração de Galvan sobre feminicídio. Na ocasião, ela afirmou que agentes políticos precisam ter responsabilidade e criticou falas que podem “naturalizar a violência” contra as mulheres.
Galvan havia questionado o tratamento penal específico dado ao feminicídio, criticado a pena de até 40 anos e declarado que “a morte de uma mulher não é diferente da morte de um homem”. A legislação, porém, não diferencia mortes apenas pelo sexo da vítima: caracteriza o feminicídio quando a mulher é assassinada em contexto de violência doméstica, menosprezo ou discriminação por sua condição de mulher.
O apoio político não significa, automaticamente, concordância com todas as posições de Galvan. Mas Gisela não explicou por que uma fala que antes considerava grave deixou de representar obstáculo para a aliança.
Sem qualquer ressalva pública, a mudança transmite uma mensagem incômoda: o discurso de defesa das mulheres é firme diante das câmeras, mas pode ser relativizado quando surgem interesses eleitorais. Entre a cobrança e o palanque, Gisela escolheu o palanque.
