Pelo segundo ano consecutivo, Mato Grosso ostenta o vergonhoso título de estado com a maior taxa de feminicídios do país por habitante, conforme dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Este índice alarmante, que supera o dobro da média nacional, coloca a gestão do governador Mauro Mendes (União Brasil) sob intensa crítica, sendo considerada por analistas e oposição como uma das piores na área de segurança pública desde a redemocratização. Além dos dados chocantes, especialistas apontam causas estruturais que agravam a tragédia: efetivo extremamente reduzido da Polícia Militar, delegacias fechadas no período noturno em diversas cidades, inexistência de uma Delegacia da Mulher 24 horas em todo o estado e o não chamamento dos aprovados no concurso da PM — profissionais que poderiam reforçar a proteção da população. O resultado desse conjunto de falhas é um cenário em que mulheres estão cada vez mais desprotegidas, com o feminicídio atingindo o bicampeonato nacional e revelando um estado incapaz de garantir segurança às suas cidadãs.
O cenário de insegurança é agravado pela movimentação política do atual Secretário de Segurança Pública, o Tenente Coronel Alexandre Bustamante Roveri, que tem manifestado a intenção de se lançar como candidato a deputado federal. A possível candidatura ao Congresso Nacional ocorre em um momento em que sua gestão é amplamente questionada pelos resultados negativos e pela incapacidade de reverter o quadro de violência, especialmente o recorde de feminicídios e a evidente deterioração da estrutura policial. Críticos veem essa manobra como uma tentativa de buscar foro privilegiado ou ascensão política em Brasília, ignorando a crise instalada na pasta e reforçando a percepção de um governo que falhou em garantir a segurança de seus cidadãos — enquanto vidas seguem sendo perdidas e famílias destruídas em todo o estado.