Farra com dinheiro público: ‘Parque dos Bilionários’ torra R$ 6 milhões com simples ‘cenografia’ de árvore

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Farra com dinheiro público: ‘Parque dos Bilionários’ torra R$ 6 milhões com simples ‘cenografia’ de árvore

Enquanto setores essenciais do estado enfrentam gargalos orçamentários, o polêmico Parque Novo Mato Grosso — apelidado popularmente como o "Parque dos Bilionários" — acaba de registrar mais um gasto astronômico que desafia a lógica da prioridade pública. Um extrato de contrato publicado pela MT Participações e Projetos S.A. (MTPAR) revela o desembolso de exatos R$ 6.006.511,14 apenas para a execução das obras de "Cenografia da Árvore da Vida". O valor milionário para um item decorativo de um empreendimento já marcado por aumentos sucessivos de custo acende o alerta sobre a gestão dos recursos dos contribuintes mato-grossenses.
O contrato nº 022/2026, assinado no final de abril, entrega a vultosa quantia à empresa Gmieski & Santos Ltda. para um serviço que terá vigência de nove meses. O que causa ainda mais indignação é o contraste orçamentário: para viabilizar as obras de luxo do parque, o governo chegou a remanejar recentemente cerca de R$ 56 milhões que seriam destinados à Previdência, sacrificando a segurança financeira de servidores para inflar um projeto de lazer voltado à elite, que inclui autódromo e espaços de alto padrão em uma área doada por grandes magnatas do agronegócio.
A "Árvore da Vida", que deveria ser um símbolo de contemplação, torna-se agora o monumento do desperdício em um estado onde a infraestrutura básica e a saúde ainda clamam por investimentos. O projeto original do parque, que começou estimado em R$ 150 milhões, já ultrapassou a barreira dos R$ 600 milhões — um salto de 300% sem que a população veja o retorno social proporcional a tamanho investimento. Enquanto a "cenografia" de milhões ganha forma, o cidadão comum assiste, do lado de fora, ao crescimento de um elefante branco que vai passar de 2 bilhões financiado com o suor de quem mais precisa.