O clima é de apreensão e revolta nos grupos de WhatsApp dos servidores do SAMU em Mato Grosso, onde relatos apontam para um desmonte imediato do serviço na Baixada Cuiabana. Segundo as mensagens que circulam entre os trabalhadores, o governo estadual não pretende renovar os contratos de cerca de 50% do efetivo — incluindo 22 enfermeiros, 24 técnicos e 10 condutores — com prazos de encerramento já para o dia 31 de março. "Lá em Chapada são só dois condutores contratados… Cuiabá e Várzea Grande possivelmente vai acabar", diz um dos trechos das conversas, evidenciando o medo de que o serviço seja extinto ou reduzido drasticamente, deixando a população desassistida e os profissionais "a ver navios". A grande pergunta que se faz é se o governador pode fechar um serviço que possui natureza federal, já que o SAMU 192 foi instituído por decreto presidencial e é regido por uma gestão tripartite. Legalmente, o financiamento é compartilhado entre União (50%), Estado (25%) e Município (25%), o que significa que qualquer alteração unilateral na estrutura pactuada pode configurar descumprimento de normas do SUS e comprometer os repasses federais ao estado.
A denúncia ganha força com a lista de bases que seriam automaticamente desativadas, como a B4, B5, B8 e as unidades de motolâncias (GMAU 1 e 2). Diante do silêncio da coordenação e da ausência de aviso prévio oficial, a categoria iniciou uma forte mobilização digital com o slogan "O SAMU te espera nas urnas", prometendo levar o debate sobre o direito à saúde para o campo eleitoral. A estratégia de "bombeirização" do atendimento pré-hospitalar, defendida pela gestão Mauro Mendes, é vista pelos servidores como um "tiro no pé" e um tapa na cara da sociedade, já que o desfalque nas escalas compromete a agilidade no socorro a casos críticos onde cada minuto conta para salvar uma vida. Embora os estados e municípios tenham autonomia administrativa para gerir as redes locais, o fechamento de bases habilitadas pelo Ministério da Saúde sem prévia pactuação na Comissão Intergestores Bipartite (CIB) pode levar ao descredenciamento do serviço e à perda definitiva de recursos da União, agravando ainda mais a crise na saúde pública de Mato Grosso.
EXCLUSIVO: Manifestação nas redes sociais denuncia demissão em massa e fechamento de bases do SAMU em Cuiabá
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