Em mais um daqueles episódios em que a ironia se personifica e pede passagem na política mato-grossense, o prefeito Abílio Brunini decidiu vestir o terno de árbitro da normalidade para rotular adversários de “personalidades exóticas”. O diagnóstico, saído diretamente de quem construiu uma carreira inteira à base de transmissões histriônicas, gesticulações quase coreográficas e invasões performáticas de repartições públicas, soa quase como ciúme profissional. Para um observador atento, ver Abílio apontar o dedo para o exotismo alheio é o equivalente retórico a uma tempestade de granizo criticar uma garoa fina por molhar o asfalto.
Ao que parece, a régua de civilidade do mandatário cuiabano só funciona em via única: enquanto suas próprias bizarrices e o estilo truculento são vendidos como autenticidade de paladino, qualquer ruído vindo do interior do estado vira motivo para lições de etiqueta. No fim das contas, ao tentar rebaixar vereadores e adversários pela caricatura, Abílio apenas lembra ao eleitorado que, no quesito trejeitos excêntricos e agressividade sem filtro, a praça cuiabana já tem o seu pioneiro e mais dedicado expoente — e ele despacha direto do gabinete principal.
Entre trejeitos e bizarrices: Abílio tenta patentear o monopólio da esquisitice em Mato Grosso
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