O senador Wellington Fagundes (PL) rebateu, nesta quarta-feira (12), o discurso adotado pelo ex-governador Mauro Mendes (União), pelo prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), e pelo deputado federal José Medeiros (PL) para lançar suspeitas sobre a Operação Heritage por ter sido deflagrada durante o período eleitoral.
Em pronunciamento na tribuna do Senado, Wellington classificou como “absurda” a tentativa de descredibilizar uma investigação da Polícia Federal apenas porque ela atinge políticos que estão disputando a eleição.
“Não venham dizer que é inoportuno fazer uma investigação em período eleitoral, como se alguém que roubar durante a campanha não pudesse ser investigado. Isso é um absurdo”, disparou.
A crítica atinge diretamente a principal narrativa política apresentada por Mauro desde que foi alvo da operação. Candidato ao Senado, o ex-governador classificou a investigação como uma “armação eleitoral” e atribuiu a ação a adversários políticos.
Abilio também questionou o momento da operação e afirmou que a investigação teria sido “contaminada” por declarações anteriores de adversários de Mauro. Apesar disso, o prefeito disse ser favorável à apuração dos fatos.
Medeiros foi ainda mais longe. O deputado anunciou que pretende apresentar um projeto para proibir operações policiais contra candidatos durante os seis meses que antecedem uma eleição. Pela proposta defendida por ele, medidas contra políticos teriam que esperar o fim da disputa eleitoral.
Na prática, a regra criaria para candidatos uma blindagem que não existe para o cidadão comum. Enquanto qualquer brasileiro pode ser investigado durante todo o ano, políticos em campanha ganhariam uma espécie de salvo-conduto temporário contra operações policiais.
Wellington rejeitou essa tentativa de transformar o calendário eleitoral em escudo contra a atuação dos órgãos de investigação. Segundo ele, as suspeitas relacionadas ao acordo com a Oi foram levantadas muito antes do início da atual campanha.
“E não venham dizer que isso é denúncia apenas eleitoreira, porque isso foi feito lá atrás. Nós nunca acusamos, nós só pedimos as investigações”, afirmou.
O senador também cobrou rapidez na conclusão da apuração. Para Wellington, a proximidade da eleição aumenta a necessidade de uma resposta rápida, tanto para esclarecer as suspeitas quanto para evitar que o caso permaneça indefinidamente no campo das acusações políticas.
“É nossa exigência que seja rápido, porque agora já está em curso uma eleição”, declarou.
A proximidade das urnas não apaga os fatos investigados, não suspende a legislação penal e tampouco retira da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal a obrigação de apurar suspeitas envolvendo dinheiro público. Se houver abuso, vazamento ou interferência política, essas condutas também devem ser investigadas. Mas levantar dúvidas sobre o momento da operação não responde às questões centrais do caso.
A Operação Heritage foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e investiga suspeitas de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro relacionadas ao acordo de aproximadamente R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a operadora Oi.
Entre os investigados estão Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia (União) e o ex-secretário-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho, além de familiares e empresários.
Para Wellington, a população tem o direito de saber o que aconteceu com os recursos, especialmente diante das carências enfrentadas pelos moradores de Mato Grosso.
“A população exige uma resposta, porque o cidadão que está pagando imposto não aceita. Ele está sofrendo”, afirmou.
Ao concluir, Wellington afirmou que investigar não é uma escolha política nem uma medida que possa ser interrompida pelo calendário eleitoral.
“Fazer esses esclarecimentos, realizar as investigações e concluir é obrigação do Estado brasileiro, por meio dos órgãos de controle e também do Supremo Tribunal Federal”, completou.