A primeira Mesa Diretora 100% feminina da história da Câmara de Cuiabá, apresentada no início de 2025 como símbolo de renovação e exemplo político para o país, chega ao fim de forma melancólica. Comandada por Paula Calil (PL) e apoiada desde a transição pelo prefeito Abílio Brunini, a direção da Casa termina o biênio sob críticas de alinhamento excessivo ao Palácio Alencastro e sem conseguir transformar o ineditismo de sua composição em protagonismo político à altura da expectativa criada. O contraste é ainda maior porque, ao assumir, Paula havia prometido uma Câmara com “total independência” em relação ao Executivo.
O desfecho político aprofundou a derrota do grupo: Paula Calil não conseguiu se reeleger nem construir um sucessor para manter seu campo político no comando do Legislativo. A presidência acabou nas mãos de Ilde Taques, vereador que hoje se posiciona na oposição a Abílio Brunini. Assim, a Mesa que nasceu sob o discurso de renovação, força feminina e sintonia com a direita cuiabana encerra seu ciclo sem preservar o próprio comando da Casa — transformando uma experiência inicialmente vendida como histórica em um duro revés político para o grupo do prefeito.