O vereador Dilemário Alencar, que começou a atual legislatura como um dos principais aliados do prefeito Abílio Brunini e assumiu a liderança do governo na Câmara de Cuiabá, atravessa um processo de perda de espaço político. Depois de participar ativamente da eleição de Abílio, Dilemário não conseguiu viabilizar sua candidatura a deputado estadual em 2026, deixou a liderança do prefeito no Legislativo e também não conseguiu reunir apoio suficiente entre os vereadores para disputar a presidência da Câmara — posto que, nos bastidores políticos, era tratado como parte dos compromissos assumidos com ele pelo grupo governista.
O desfecho da eleição interna explicitou ainda mais o isolamento: sem condições de emplacar o próprio nome, Dilemário acabou apoiando, na reta final, a candidatura que derrotou o grupo do prefeito de quem havia sido líder. A sequência de derrotas representa um forte encolhimento de sua influência dentro da Câmara. De protagonista da articulação governista no início da legislatura, Dilemário chega ao novo cenário político sem a liderança do prefeito, sem candidatura estadual e sem a presidência da Casa, correndo o risco de passar a integrar o chamado “baixo clero” do Legislativo cuiabano.