A Prefeitura de Cuiabá fechou um contrato de R$ 31,7 milhões com a CB News Comercial Ltda., empresa que forneceu uniformes escolares em uma contratação da Prefeitura de Votorantim, no interior de São Paulo, cujo pagamento foi suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) em 2025.
Em Cuiabá, o Contrato nº 395/2026 foi firmado pela Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esportes e Lazer. O documento prevê o pagamento de R$ 31.698.843,76 à empresa, inscrita no CNPJ nº 08.934.170/0001-55 e representada por Nadyla Torres de Almeida.
A contratação tem vigência de 12 meses e foi realizada por meio do Pregão Eletrônico/SRP nº 008/2024 e da Ata de Registro de Preços nº 016/2024. O processo tramita no Sistema de Gestão de Documentos sob o número 126213/2026.
Conforme o extrato publicado, a empresa fornecerá “itens de consumo fungíveis com tecnologias de proteção climática de manufatura customizada”, destinados ao uso individual de servidores, incluindo acessórios. O texto menciona futura e eventual distribuição aos colaboradores das secretarias municipais, mas não detalha quais produtos serão adquiridos, as quantidades previstas nem os valores unitários.
Os recursos sairão das fontes 500, 540 e 550, vinculadas às ações orçamentárias 2033 e 2043 da Secretaria de Educação.
A CB News já havia sido mencionada em reportagens da TV TEM e do G1 sobre contratos públicos firmados no interior de São Paulo. Em agosto de 2025, o TCE-SP determinou a suspensão do pagamento de R$ 7,6 milhões relacionado à compra de uniformes escolares pela Prefeitura de Votorantim. A fornecedora dos materiais era a CB News.
A decisão atingiu aquele pagamento específico e não representa, por si só, uma condenação definitiva da empresa. Também não há, nos documentos analisados, indicação de que a medida adotada pelo tribunal paulista tenha alcançado o contrato firmado posteriormente com a Prefeitura de Cuiabá.
Outra reportagem publicada pelo G1, com base em apuração da TV TEM, apontou divergências em informações relacionadas ao quadro societário da CB News. Segundo a publicação, a proprietária não foi encontrada no endereço residencial que constava nos registros consultados pela reportagem. A antiga responsável pela empresa também teria negado conhecer Nadyla, apesar de documentos da Junta Comercial indicarem a transferência do controle empresarial entre elas em 2022.
As informações foram apresentadas pela reportagem como indícios que deveriam ser esclarecidos, e não como comprovação de fraude ou de participação das empresárias em algum crime.
Na ocasião, a Prefeitura de Votorantim informou ao G1 que mantinha uma relação institucional com as empresas e que as contratações ocorreram após a apresentação dos documentos e das certidões exigidas. A CB News não respondeu aos telefonemas feitos pela reportagem paulista.
Dados cadastrais atualmente divulgados pela plataforma Econodata mostram que a CB News permanece ativa, possui capital social declarado de R$ 5 milhões e mantém Nadyla Torres de Almeida como administradora. O CNPJ informado na base é o mesmo que aparece no contrato de R$ 31,7 milhões assinado com a Prefeitura de Cuiabá.
Em 2026, a Câmara Municipal de Pinhalzinho, também em São Paulo, apresentou um pedido de informações sobre um contrato de R$ 1,07 milhão firmado com a CB News. Os vereadores solicitaram documentos e esclarecimentos sobre as diligências realizadas pelo município para verificar a regularidade jurídica, fiscal e societária da empresa. O pedido citou expressamente a reportagem sobre os questionamentos envolvendo o quadro societário.
Apesar do histórico de questionamentos, as informações disponíveis não comprovam irregularidade no contrato firmado com Cuiabá. A suspensão determinada pelo TCE-SP ocorreu em outra cidade e em uma contratação distinta.

