CORTINA DE FUMAÇA Abilio tenta criar polêmicas para esconder desgaste: filho aos 9 anos e deputado tem amante

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CORTINA DE FUMAÇA Abilio tenta criar polêmicas para esconder desgaste: filho aos 9 anos e deputado tem amante

Diante do desgaste estrondoso acumulado nos últimos dias, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), parece ter retomado sua estratégia preferida: produzir barulho suficiente para tentar mudar o assunto. Quando a gestão é pressionada por explicações, o prefeito cria uma nova polêmica, ataca adversários ou transforma situações inusitadas em conteúdo para as redes sociais.

A tática, porém, já não demonstra a mesma eficiência. O problema que Abilio parece não compreender é que a população começa a separar espetáculo de administração. Enquanto o prefeito tenta dominar as redes sociais, as dificuldades de sua gestão permanecem diante dos cuiabanos.

O desgaste começou a aumentar após Abilio decidir mexer justamente com a habitação popular. Um decreto suspendeu a análise e a aprovação de novos loteamentos com terrenos menores que 200 metros quadrados. Vereadores alertaram que a medida poderia atingir projetos destinados às famílias de baixa renda, como empreendimentos vinculados ao Minha Casa, Minha Vida. A Prefeitura nega que o programa habitacional seja prejudicado.

Na sequência, o prefeito entrou na Justiça para questionar regras internas da Câmara de Cuiabá que exigem o apoio de dois terços dos vereadores para a aprovação de determinadas matérias. A ação pode interferir diretamente na disputa pelo comando do Legislativo, na qual Abilio trabalha para garantir a eleição de sua aliada, a vereadora Paula Calil (PL). A iniciativa provocou acusações de interferência na autonomia da Câmara.

Ao mesmo tempo, a administração continua cercada por questionamentos na Educação. Existem acusações envolvendo a aplicação de mais de R$ 100 milhões e suspeitas de irregularidades na compra de livros e materiais didáticos. O prefeito e integrantes de sua equipe negam que tenha ocorrido qualquer manobra fiscal, enquanto as denúncias e contratos são discutidos politicamente e cobrados por vereadores.

Também permanece em evidência o caso envolvendo denúncias de assédio sexual e moral contra William Leite de Campos, ex-secretário e antigo integrante do núcleo político da gestão. As acusações motivaram pedidos de investigação e uma CPI na Câmara, sem que isso represente, até o momento, uma condenação do ex-secretário.

Sem conseguir consolidar uma obra relevante como marca própria da administração, Abilio parece apostar na criação de acontecimentos paralelos para ocupar o noticiário. Dois episódios recentes reforçaram essa percepção.

O primeiro ocorreu durante a abertura da Expoagro 2026. Em vez de concentrar o discurso na feira e nas propostas para Cuiabá, Abilio atacou adversários e afirmou que existe um deputado que sustenta “a família e a amante” com recursos provenientes do agronegócio. Também direcionou críticas a professores que, segundo ele, falam contra o setor dentro das salas de aula.

A declaração produziu exatamente o efeito esperado: vídeos, manchetes, compartilhamentos e discussões nas redes sociais. Muito barulho, mas nenhuma resposta sobre os problemas que atingem diretamente a administração municipal.

O segundo episódio foi ainda mais inusitado. Abilio publicou o áudio de uma ligação na qual uma mulher dizia ter mantido um relacionamento com ele em 1991 e afirmava que sua filha, atualmente com 33 anos, poderia ser filha do prefeito. Abilio respondeu que tinha apenas 9 anos na época narrada e encerrou a conversa aos risos. O conteúdo rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.

A história pode ser absurda e até engraçada, mas chama atenção o fato de o próprio prefeito ter decidido transformar a ligação em conteúdo público justamente quando sua administração atravessa uma sequência de desgastes políticos.

As duas situações possuem o mesmo ingrediente: são polêmicas capazes de gerar audiência, memes e discussões, mas que não resolvem um único problema de Cuiabá. Não entregam asfalto, não melhoram a saúde, não esclarecem as suspeitas na Educação e tampouco respondem às denúncias que atingem antigos integrantes da gestão.

Abilio ainda governa como se uma transmissão ao vivo ou uma frase provocativa pudesse apagar todos os problemas anteriores. A estratégia já funcionou eleitoralmente e garantiu ao prefeito enorme presença nas redes sociais. Agora, porém, começa a dar sinais de esgotamento.

O prefeito pode lançar quantas cortinas de fumaça desejar. Quando o barulho termina, continuam no mesmo lugar os questionamentos sobre a Educação, o caso de assédio, a crise com a Câmara, a polêmica das casas populares e a ausência de uma grande entrega que possa ser apresentada como resultado concreto de sua administração.

A população já percebeu que provocar não é governar. E, desta vez, o espetáculo parece não colar mais.