“Corrida de Reis perde ruas de Cuiabá e vira vitrine de luxo no Parque Novo Mato Grosso — o novo elefante branco do governo Mauro Mendes”

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“Corrida de Reis perde ruas de Cuiabá e vira vitrine de luxo no Parque Novo Mato Grosso — o novo elefante branco do governo Mauro Mendes”

A decisão do governador Mauro Mendes de transferir a tradicional Corrida de Reis — símbolo de acesso democrático e festa popular nas ruas de Cuiabá — para dentro do Parque Novo Mato Grosso expõe um misto de desespero político e contradição. O parque, apelidado pela população de “Parque dos Bilionários”, foi erguido com bilhões de reais em recursos públicos para abrigar estruturas como kartódromo, autódromo e até uma roda-gigante de R$ 80 milhões, e recentemente foi entregue, via chamamento público, para ser administrado por um dos maiores empresários do agronegócio, Fernando Maggi. Transformar uma corrida de rua histórica, que sempre percorreu áreas centrais e acessíveis, em um evento restrito a um complexo distante, mal acabado e de gestão privada é um movimento que soa como tentativa desesperada de melhorar a imagem de uma obra vista como elitista e desconectada do cidadão comum.

O caso remete à Arena Pantanal, outro megaempreendimento público que, passados mais de sete anos de governo Mauro Mendes, segue sem sustentabilidade, sem eventos regulares e em franca deterioração. Se o Estado não conseguiu viabilizar economicamente um estádio já consolidado, que dirá um parque voltado a esportes caros e seletivos, como autódromo e kartódromo. Ao levar a Corrida de Reis para esse espaço, o governo abre mão do simbolismo de rua e da integração popular que sempre fizeram do evento um patrimônio cultural de Cuiabá, transformando-o em vitrine para um projeto questionado desde a origem e que carrega o estigma de ter sido construído com dinheiro do povo para benefício de poucos.