O senador e candidato ao Governo Wellington Fagundes (PL) resgatou o passado do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) Luiz Antônio Pagot para rebater ataques feitos pelo governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos). Pagot integra atualmente a coordenação da campanha de Pivetta.
Ao responder às críticas envolvendo o DNIT, Wellington associou Pagot a casos de corrupção e afirmou que o ex-dirigente teria sido retirado do órgão durante o governo Jair Bolsonaro.
“Candidato Pivetta, ele falou do DNIT. O coordenador da campanha do Pivetta, o senhor Pagot, foi exonerado pelo Bolsonaro porque ele foi condenado por corrupção. Então a marca do Wellington é trabalho. Nunca fui, não respondo a nenhum processo e não tenho nenhuma condenação nesses 34 anos de mandato”, afirmou.
A declaração, porém, traz um erro de cronologia. Pagot não deixou o DNIT no governo Bolsonaro. Sua saída ocorreu em 2011, durante o primeiro ano do governo da então presidente Dilma Rousseff (PT), oito anos antes de Bolsonaro assumir a Presidência da República.
Naquele período, Pagot estava no centro de uma das primeiras grandes crises enfrentadas pelo governo Dilma. Denúncias apontavam a existência de um suposto esquema envolvendo superfaturamento de obras, cobrança de propina de empreiteiras e integrantes do Ministério dos Transportes e de órgãos vinculados à pasta. Pagot, então diretor-geral do DNIT, esteve entre os integrantes da cúpula afastados após a divulgação das acusações.
A crise atingiu diretamente o então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, que deixou o cargo em 6 de julho de 2011. Outros dirigentes também foram afastados, incluindo integrantes do DNIT e da Valec. O episódio deu início a uma sequência de demissões no Ministério dos Transportes durante os primeiros meses do governo Dilma.
Pagot permaneceu afastado por algumas semanas e, em 25 de julho de 2011, pediu formalmente a própria exoneração da direção-geral do DNIT. Nota oficial publicada pelo Ministério dos Transportes na época informou que ele comunicou à Presidência da República o pedido para deixar definitivamente o cargo. Portanto, além de a saída ter ocorrido no governo Dilma, o ato final se deu por pedido de exoneração apresentado pelo próprio Pagot.
As suspeitas daquele período envolveram contratos e obras administrados pelo setor de transportes e levaram órgãos de controle a aprofundar fiscalizações. Documentos do Congresso registram que as denúncias publicadas à época apontavam suposto superfaturamento e pagamento de propina envolvendo servidores e dirigentes do Ministério, DNIT e Valec.