O deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) reconheceu que houve uma operação envolvendo a Oi no Governo de Mato Grosso, mas afirmou que o processo não passou pela Casa Civil, órgão que comandava na época. A declaração foi feita em um vídeo gravado nesta quinta-feira (6), após a deflagração da Operação Heritage.
A explicação, porém, não responde ao principal ponto levantado na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A investigação não vincula Fábio ao caso apenas pelo cargo que ocupava, mas por supostas conexões financeiras relacionadas ao fundo Lotte Word FIDC.
Segundo a decisão, foram reunidos indícios de participação do deputado por meio do fundo, que recebeu aproximadamente metade dos R$ 308 milhões pagos pelo Estado — cerca de R$ 154 milhões. O documento também cita Fernando Robério de Borges Garcia, pai do parlamentar, como um dos cotistas do Lotte Word.
A PF associa Fábio Garcia e o secretário Mauro Carvalho Júnior ao núcleo da chamada “cascata Lotte Word FIDC”. Os investigadores suspeitam que o dinheiro público tenha circulado por diferentes fundos antes de ser convertido em investimentos privados ligados a familiares.
No trecho divulgado do vídeo, Fábio negou participação na tramitação do acordo, mas não explicou as ligações financeiras e familiares mencionadas na decisão do STF.
A PF cumpriu 25 mandados de busca e apreensão para investigar suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e uso indevido de informação privilegiada. A investigação continua e não há condenação contra Fábio Garcia.