O discurso contra a chamada “indústria da multa”, usado por Abilio Brunini (PL) durante a campanha à Prefeitura de Cuiabá, contrasta com os resultados divulgados pela Junta Administrativa de Recursos de Infrações (Jari).
Em oito sessões realizadas entre os dias 17 e 26 de agosto, a Jari negou 746 dos 798 recursos contra penalidades de trânsito analisados. Apenas 52 contestações foram aceitas, o equivalente a 6,5%. Com isso, a rejeição alcançou 93,5%.
Durante a campanha municipal, Abilio fez da crítica aos radares uma de suas principais bandeiras e prometeu acabar com equipamentos que classificava como “caça-níqueis”. Já como prefeito, anunciou a retirada de radares instalados na Avenida Dom Bosco, na Avenida Lavapés, em frente ao antigo Moitará, e na Prainha, nas proximidades da Praça Bispo Dom José.
Segundo o prefeito, o trânsito nesses locais estaria mais organizado e os equipamentos deixaram de ser necessários. Os radares deverão ser transferidos para o Contorno Leste, onde, conforme Abilio, existem registros de acidentes e excesso de velocidade.
O posicionamento levanta um questionamento: se a própria gestão considera desnecessária a permanência dos radares nesses pontos, como estão sendo avaliados os recursos apresentados por motoristas autuados nesses locais?
A retirada dos equipamentos, por si só, não invalida automaticamente as multas aplicadas anteriormente. Para que uma autuação seja cancelada, é necessário comprovar alguma irregularidade no equipamento, na sinalização, no estudo técnico ou no próprio auto de infração.
As atas publicadas na Gazeta Municipal não informam quais infrações foram questionadas nem os locais onde ocorreram. Por isso, não é possível saber quantos dos 798 recursos analisados estão relacionados aos três radares que Abilio decidiu retirar.