A narrativa de que haveria ataques à família do governador Mauro Mendes e da primeira-dama Virgínia Mendes, sustentada pelo próprio casal, não encontra respaldo nos fatos observados no debate público e já não apresenta aderência relevante na sociedade, passando a ser vista com crescente descrédito. O que está em análise são acontecimentos relacionados à atuação empresarial de Luís Antônio Taveira Mendes, filho do casal, que foi alçado à posição de comando em empresas da família. Não se trata de ataque pessoal ou familiar, mas de questionamentos direcionados à atuação empresarial de um agente que, por decisão dos próprios pais, passou a ocupar posição estratégica em negócios de grande porte e com interfaces institucionais relevantes.
O empresário já foi alvo de investigações da Polícia Federal nas operações Hermes 1 e Hermes 2, voltadas ao combate ao comércio ilegal de mercúrio, contexto em que, conforme divulgado por veículos de imprensa, houve pedido de prisão no curso das apurações. O caso ganha novos desdobramentos com a denúncia formal apresentada pelo ex-governador e ex-procurador da República Pedro Taques, que aponta supostas irregularidades em um acordo de aproximadamente R$ 308 milhões entre o Estado de Mato Grosso e a operadora Oi. Segundo a denúncia, protocolada na Procuradoria-Geral da República, no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, haveria indícios de que parte dos valores teria transitado por estruturas financeiras e, conforme alegado, alcançado fundos e empresas com possível ligação ao filho do governador, à primeira-dama e a aliados políticos.
Nesse contexto, ao ser colocado à frente de empresas familiares desde 2019, com atuação em negócios que envolvem elevados volumes financeiros e relações com entes públicos e privados, o empresário também passa a estar sujeito ao escrutínio público inerente a esse nível de atuação. Em especial quando surgem investigações e denúncias envolvendo relações com o Estado, como nos casos mencionados, torna-se legítimo o questionamento público sobre sua atuação. Diante disso, o centro da discussão deixa de ser uma suposta vitimização e passa a ser a responsabilidade pelas decisões que levaram à sua exposição, cabendo às autoridades competentes a apuração dos fatos e à sociedade o acompanhamento atento dessas informações.