O prefeito de Colíder, Rodrigo Benassi, deveria conhecer a responsabilidade do cargo antes de divulgar uma proposta de divisão do Brasil por preferência eleitoral. Ao separar o país entre “azul” e “vermelho”, o gestor alimenta uma hostilidade incompatível com o compromisso de governar para todos.
A postagem ainda tropeça nos dados. Lula venceu nos nove estados do Nordeste e também no Amapá, Amazonas, Pará e Minas Gerais. Mesmo assim, a arte coloca Minas no bloco de Flávio Bolsonaro, enquanto Amazonas e Acre simplesmente desaparecem do mapa. Antes de querer repartir o Brasil, seria bom conferir sua geografia e o resultado das urnas.
Em Colíder, Flávio recebeu 15.029 votos, contra 3.536 de Lula. Esses 3.536 eleitores merecem menos respeito porque fizeram uma escolha diferente da preferência do prefeito? São moradores que trabalham, pagam impostos e têm o mesmo direito aos serviços públicos e à consideração de quem administra o município.
Também é preciso distinguir os resultados: Lula perdeu em Colíder, mas foi reeleito presidente com 51,79% dos votos válidos no país. A vontade da maioria nacional merece o mesmo respeito que a maioria formada dentro do município.
Benassi pode ter candidato, partido e preferência política. Como prefeito, porém, administra recursos públicos arrecadados de pessoas de direita, de esquerda e sem alinhamento partidário. Cabe a ele respeitar essa pluralidade. Que compromisso democrático demonstra um governante quando transforma a escolha política de parte da população em motivo para defender a separação do país?