O prefeito Abilio Brunini (PL) deu início a um processo acelerado e silencioso para vender imóveis, estruturas e bens públicos da Prefeitura de Cuiabá, sem apresentar qualquer explicação sobre a necessidade da alienação ou o destino do dinheiro arrecadado. A medida foi oficializada na Gazeta Municipal do dia 7 de novembro.
Na mesma edição, foram criadas três comissões centrais para operacionalizar a desmobilização do patrimônio público:
Comissão de Inventário de Bens (para listar o que o município possui),
Comissão de Avaliação e Depreciação (para definir valor e classificar bens como “inservíveis”),
Comissão de Leilão e Desfazimento (para autorizar a venda ou eliminação definitiva).
Na prática, essas três estruturas funcionam como engrenagens de um mesmo mecanismo: decidir o que pertence ao povo e pode deixar de pertencer.
Sem plano, sem debate, sem transparência
Abilio não informou:
Qual patrimônio entrará na lista de venda;
Quanto pretende arrecadar;
Por que a venda é necessária;
Para onde o dinheiro será direcionado;
Qual impacto isso terá na cidade.
Ou seja: vende-se primeiro, explica-se depois se explicar.
O risco
Bens públicos, quando vendidos, não voltam.
Espaços urbanos, terrenos públicos, prédios que serviriam para escolas, postos de saúde, cultura, lazer ou habitação, podem ser transferidos de forma permanente para empreendimentos privados sem que a população seja sequer informada.
A ausência de justificativa financeira levanta um questionamento inevitável: